quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Sonhos de Consumo

O Salão Internacional do Automóvel foi aberto ontem (30/10) no Anhembi em São Paulo/SP. A mostra reúne os maiores fabricantes mundiais de automóveis, todos de olho num dos maiores mercados mundiais, sejam de modelos de alto luxo, sejam dos chamados populares.

Isso parece consolidar a tendência da nossa economia, que aniquilou completamente a classe média, tranformando o mercado num tipo oito ou oitenta. E é por isso que o Brasil se tornou um dos maiores mercados mundiais de automóveis de luxo e alto luxo, e - a um só tempo - possuí um enorme mercado de veículos populares.

Os carros da linha média, destinados a uma escassa classe média, sofrem para manterem-se nas linhas de produção, e apresentam número de venda bem modestos.

Criou-se um conceito confuso daquilo que seja um automóvel popular. O incentivo governamental, com impostos menores para os modelos com motorização até 1000 cm³, cuja intenção fundamental era proporcionar um carro econômico e de baixo custo, acabou incentivando a produção de modelos de baixa qualidade.

Nossos carros populares são de qualidade discutível. Não pense que a diferença entre um carro com motor 1.6 ou 1.8 litros e um de motorização de um litro está só no motor. Não é o mesmo carro, todo o acabamento e a qualidade dos componentes muda de um modelo para o outro. O modêlo 1.0 é inferior não só no motor, mas em tudo.

Voltamos, de certa forma, às carroças de que falava o ex-presidente Collor de Melo. Não resolve muito pagar pouco e receber menos ainda.