Isso parece consolidar a tendência da nossa economia, que aniquilou completamente a classe média, tranformando o mercado num tipo oito ou oitenta. E é por isso que o Brasil se tornou um dos maiores mercados mundiais de automóveis de luxo e alto luxo, e - a um só tempo - possuí um enorme mercado de veículos populares.
Os carros da linha média, destinados a uma escassa classe média, sofrem para manterem-se nas linhas de produção, e apresentam número de venda bem modestos.
Criou-se um conceito confuso daquilo que seja um automóvel popular. O incentivo governamental, com impostos menores para os modelos com motorização até 1000 cm³, cuja intenção fundamental era proporcionar um carro econômico e de baixo custo, acabou incentivando a produção de modelos de baixa qualidade.
Nossos carros populares são de qualidade discutível. Não pense que a diferença entre um carro com motor 1.6 ou 1.8 litros e um de motorização de um litro está só no motor. Não é o mesmo carro, todo o acabamento e a qualidade dos componentes muda de um modelo para o outro. O modêlo 1.0 é inferior não só no motor, mas em tudo.
Voltamos, de certa forma, às carroças de que falava o ex-presidente Collor de Melo. Não resolve muito pagar pouco e receber menos ainda.
